Exército Brasileiro assina contrato de aquisição do Centauro II BR
Após um longo período de incertezas, o contrato de aquisição do Centauro II BR foi oficialmente assinado pela Força Terrestre e reforçará a capacidade de combate da Cavalaria com canhão de 120 mm.
| Solenidade Nacional Alusiva ao Patrono da Arma de Cavalaria. Foto: 8° Esquadrão de Cavalaria Mecanizado - Divulgação. |
O Exército Brasileiro acaba de dar mais um importante passo na modernização de sua frota de blindados. Foi assinado, nesta segunda-feira, 31 de agosto 2026, o acordo para aquisição do Lote de Experimentação Doutrinária do Centauro II BR (Iveco-OTO Melara), o novo blindado caça-tanque 8x8 do Brasil.
O programa prevê a aquisição total de 98 unidades do veículo, um investimento estimado em cerca de R$ 5 bilhões. Com o atual acordo, são esperadas entregas anuais de sete unidades do veículo a partir de 2028. A ideia é que o blindado possa incrementar significativamente o poder de combate da Força, ampliando suas capacidades de mobilidade, proteção e poder de fogo.
A escolha do Centauro não é recente. Em 2022, o Exército Brasileiro concluiu o processo de licitação e selecionou o veículo italiano como vencedor. Na “short list” final, o Centauro II competiu diretamente com o LAV 700 AG, da General Dynamics Land Systems-Canadá, e o ST1-BR, da NORINCO, China. Após rigorosa avaliação técnica, operacional e logística, o modelo europeu foi considerado o mais adequado às necessidades do país.
A aquisição da Viatura Blindada de Cavalaria 8x8 Centauro II BR foi iniciada em 2021. O projeto integra o Programa Estratégico Forças Blindadas, um dos principais eixos do Portfólio Estratégico do Exército Brasileiro, conduzido pelo Escritório de Projetos do Exército (EPEx). A iniciativa busca ampliar a capacidade operacional do EB por meio da modernização dos meios blindados, elevando os níveis de mobilidade, proteção, poder de fogo e interoperabilidade em diferentes cenários de emprego.
| Solenidade Nacional Alusiva ao Patrono da Arma de Cavalaria. Foto: 8° Esquadrão de Cavalaria Mecanizado - Divulgação. |
É importante destacar que o Exército Brasileiro já opera duas unidades do Centauro, que chegaram inicialmente para as avaliações técnicas do lote de amostra. Essa experiência prática permitiu que os militares testassem em profundidade o desempenho do veículo em condições operacionais, contribuindo de forma decisiva para a formalização da compra.
As duas primeiras unidades do Centauro incorporadas pela Força passaram a operar junto à 6ª Brigada de Infantaria Blindada, em Santa Maria (RS), considerada a “Capital dos Blindados”. A incorporação ocorreu por meio do tradicional batismo militar. As viaturas receberam os nomes “Santa Maria” e “Osorio”, em homenagem à cidade referência das tropas blindadas brasileiras e ao patrono da Cavalaria do Exército, Marechal Osorio.
| Primeiros Centauros do Exército sendo incorporados à 6° Brigada de Infantaria Blindada. Foto: 3° Divisão de Exército. Divulgação - Exército Brasileiro. |
Os primeiros exemplares desse contrato provavelmente serão produzidos na Itália. Posteriormente, a ideia é que a produção seja nacionalizada na unidade da IDV LATAM (Iveco Defence Vehicles), em Sete Lagoas (MG), com ampliação progressiva da participação da indústria nacional.
A assinatura do contrato representa um marco estratégico para o país. Além de reforçar o poder de fogo e a mobilidade da Cavalaria, o negócio inclui medidas de compensação (offset). Com o Centauro II, o Exército Brasileiro passa a contar com um veículo de alto desempenho, dotado de boa proteção balística, potente canhão de 120 mm e elevada capacidade de projeção de força em operações de alta intensidade.
Especificações do Centauro II
- Peso: 32 toneladas
- Tripulação: 4 militares
- Torre HITFACT MK II
- Armamento: canhão de 120 mm, duas metralhadoras 7,62 mm (uma coaxial e outra antiaérea) e lançadores de fumígenos de 76 mm
- Canhão principal: o sistema 120 mm L45 de alma lisa é capaz de atingir alvos a mais de 4 km, utilizando sistemas de visão diurna e termal
- Velocidade máxima: até 95 km/h
- Autonomia: aproximadamente 742 km
- Emprego operacional: vocacionado para ações de reconhecimento, operações de segurança, proteção e cobertura, especialmente em deslocamentos rápidos e de longa distância
- Sensores e optrônicos: destaque para os sistemas avançados de detecção, reconhecimento e identificação de ameaças
- Tecnologias embarcadas: sistema de acompanhamento automático de alvos, capacidade hunter-killer (caçador-assassino), alerta laser e preparação para integração de sistemas de proteção ativa e bloqueadores de sinal.
Fonte: Exército Brasileiro

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